sábado, 13 de junho de 2026

Estação Zero

escrevo do subterrâneo, cato conchas sob o céu noturno salpicado de estrelas. no meu jardim há uma trilha dessas cascas abandonadas pelos pequenos irmãos que já se foram. atravesso essa aléia, moendo os ossos, como o tempo, que veio antes de mim. há uma caverna encrustada de joias no  teto. no final daquela praia, quando durmo, consigo acessá-la até o nível em que as palavras elas ainda não foram formadas. há um instante, antes do big bang-dele nada tenho, além das minhas emoções: vibração  inicial, fio condutor  e, no último sopro, me conduzirá  novamente,  àquela praia, sob o céu noturno.    nayara barros 23/05/2026

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