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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Melhores do primeiro semestre (2026)

 



1. O melhor livro que você leu até agora, em 2026?  

Persian Boy- Mary Renault, ficção histórica. 

É eleeeee!!! O maioral!!! Bagoas! Que personagem ma-ra-vi-lho-so !!! É um sofredor? É um sofredor... Mas é tão bonita a criação desse jovem persa vai amadurecendo na imaginação da autora do que seria um estrangeiro conviver com os gregos de Alexandre, o Grande, cuja vida vai se misturando com a dele, até o derradeiro fim. Para quem gosta de ficção histórica, vai amar e achar lindo- e depois vai atrás de mais livros sobre esse período histórico.

um jovenzinho com roupas antigas como gregas dançando com um instrumento musical como pratos


2. A melhor continuação que você leu até agora, em 2026

Dinghai Fushen Records (de Fei Tian Ye Xiang). Não sei explicar a história? O último alquimista precisa convencer um guerreiro importante a se tornar o seu protetor para que ele possa restaurar a magia na Terra Divina (uma denominação antiga da China). Muita coisa acontece. Uma das coisas interessantes da história, é o pano de fundo das relações entre as várias etnias que formaram a China, mas isso uns 2000 anos atrás ou mais, os protagonistas foram criados em duas culturas diferentes e o autor deixa isso evidente na primeira metade da obra.




3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito 

Não ando acompanhando muitos lançamentos, mas o último romance da Sérgia A. é um que me interessa. 

capa metade verde e metade roxa escrito: inventários são


4. O livro mais aguardado do segundo semestre

 Vento e Verdade (tradução de Wind and Truth, do Sanderson) e a tradução da Odisseia da Emily Wilson, que é tradutora e pesquisa feminismos, também. Tem toda uma treta porque a obra dela (a tradução) foi uma das consultadas pelo Nolan e o pessoal não gostou, porque ainda assim, Wilson criticou o filme. ahahahaha!! Ps. Não tem a tradução ainda, mas coloquei aqui, porque está na minha lista.

desenhos no estilo de vasos da antiguidade clássica grega- três mulheres


5. O livro que mais te decepcionou esse ano

Lady Sapiens. Acho que decepcionou é um pouco forte, mas poderia ser muito mais do que foi, pegou pontos muito básicos sobre como não há ciência quando a misoginia se impõe até sobre esqueletos e artefatos antigos, como se o machismo a ser desfeito fosse só aquele do século XIX, quando as interpretações desse tipo, de fato, eram mais comuns. O que eu quero dizer é que faltou mais ousadia.

Mas mesmo assim eu recomendo, especialmente se você nunca leu um livro de divulgação científica da arqueologia e afins, ou mesmo se nunca leu algo feminista.



6. O livro que mais te surpreendeu esse ano 

Araras Vermelhas (poesia) - Cida Pedrosa

Apenas um pedaço importante da história recente do país (a guerrilha do Araguaia), em um formato de poesia, sendo que dentro dele, couberam vários estilos que a autora apela para acrescentar uma certa visualidade e fazer com que as cenas que se desenrolam, envolvam a leitora em cantos, rios, perseguições, esperança, tortura e morte.



7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente

Kamone Shirahama. Apesar de eu ter começado a ler os mangás dela em 2023, eu parei e retomei agora com o lançamento do anime. Adoráveis! E os livros de culinária são especiais. E meu sobrinho adorou assistir!



8*.Melhor releitura até agora (esse tópico não existe na tag original)

The Scum Villain's Self-Saving System (Mo Xiang Tong Xiu), porque é uma paródia das histórias de cultivo (monges e heróis com poderes) com harém (todas as mulheres da história se apaixonam pelo protagonista), que são comuns em parte do leste asiático. Li novamente porque eu sabia que era uma história que me faria rir e nisso foi muito acertada. O último que reli e que vale a menção novamente, são a maior parte dos Contos do Machado de Assis, que já mencionei aqui e que continuarei lendo até o final do ano.


na capa estão shen qin qiu e luo bighe, personagens principais da história, escondendo-se, dentro de um caixão de pedra. ambos vestem roupas da china antiga.


9. Seu personagem favorito mais recente 

A pequena participação da fênix Chon Ming, em Dinghai Fushen Records. Uma divindade em débito com um humano e por isso no futuro vai adotar e proteger um outro humano (em outra série). E que tem uma personalidade terrível. E você sabia que a China é um dos berços do mito da Fênix?

Chong Ming, o deus fênix, em destaque no fundo. Na frente os dois protagonistas.


10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre?

Gaza: Terra da Poesia. Esse dispensa explicação, mas não a recomendação: uma coletânea de poemas de escritores e escritoras que moraram ou ainda moram em Gaza. #freepalestine


11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre Contos do Machado de Assis. Ai, Machado... Tão maravilhoso é relê-lo, tanto como lê-lo pela primeira vez. Se você tem mais de 30 anos e nunca revisitou o mestre, fica aí a dica pra pegar umas aulas com ele de novo. 🩷



12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora, em 2026

Heated Rivalry, baseada em livros que li, a melhor. Mas como já falei sobre no blog, acrescento mais duas, eu que não sou muito do audiovisual! Devoradores de Estrelas, baseado em livro e 10Dance, baseado em mangá, esses eu só assisti e mas gostei bem! ^^


Ryan Gosling, o Grace, de Devoradores de Estrelas.



13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo) .

Escolhi essa resenha (que gostei bastante) da Aline Aimée como exemplo, mas poderia ser qualquer uma do ótimo canal da diva! Esse tipo de poesia é parecido com o meu tipo de poesia autoral, aliás.







14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano

Memórias de Babel e Box da Pâmela Smith. Olha como é lindo! Não dá pra captar tudo numa imagem!






15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?  

Vento e Verdade. Isso porque quando eu leio a tradução de um livro, depois de já ter lido em inglês, eu consigo observar se deixei passar alguma coisa e também passo a entrar em contato com o vocabulário criado pelos tradutores para o público brasileiro, que é preferível. Além disso, é bom reviver o final (ou quase final ) de uma história que ocupou tanto meu tempo e minha imaginação!


   

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Poesia: Walden e Outro dia

 Walden (versão 1)


Reencontrei o andarilho

nas prateleiras de "10 reais o livro".

Foi um bom desconto,

do tipo que o deixaria satisfeito em dizer:

melhor se fosse de graça!

Mas o livreiro tem contas a pagar.


domingo, 18 de janeiro de 2026

Heated Rivalry/Rivalidade Ardente: 11 motivos para assistir

    


O canadense Shane e o russo Ilya, casal protagonista da série.

✨PARA QUEM NÃO CONHECIA: ESSE É MEU LADO FANGIRL ✨


   No segundo semestre de 2025, minha amiga, conhecendo meu gosto (ambas fujoshis), avisou que tinham duas estreias que as redes sociais estavam comentando e que eu poderia gostar, um filme baseado em um mangá, 10Dance e uma série, baseada em uma série de livros de romance hot, Heated Rivalry (Rivalidade Ardente, como recentemente foi traduzido para o português). 

    Deixei 10dance para assistir agora em 2026 (fica aí a dica, foi lançado pela Netflix) e foquei nos livros sobre os jogadores de hockey, a série Game Changers, de Rachel Reids. Peguei os dois livros que seriam adaptados pelo Crave, streaming canadense e acompanhei as entrevistas na semana de estreia muito empolgada! Porque eu tinha gostado da história e do jeito que a Rachel escreveu romance MM dela, me surpreendendo positivamente (nem sempre acontece no subgênero, mesmo eu gostando haha).

    A semana do lançamento da série foi um surto, com o fã clube canadense dos livros enchendo as livrarias (que esgotaram lá e nos EUA) e o auditório onde o primeiro episódio seria assistido com a presença dos atores principais e do diretor e as redes sociais em polvorosa. Lembrando que o Canadá é um país que se esforça para uma boa convivência de gênero e cultura LGBT, não é perfeito, como nenhum lugar, mas está bem além, inclusive, de outros países ricos. Ou seja, havia um bom ambiente para a filmagem e para o lançamento, que também tem muito a ver com a prolífica união da autora, que é uma mulher bissexual, com o diretor (e roteirista), Jacob Tierney, que é um homem gay e que foi extremamente sensível ao olhar de Rachel e às expectativas das fãs. Tem realmente muitas cenas iguais às páginas dos livros de um jeito positivo, não engessado e no que está diferente é simplesmente encantador. Como algo classifica do como hot pode ser encantador? Aí está o segredo! Digamos que eu chorei nos 3 últimos episódios da série e nem sempre de tristeza.

Hudson (Shane), Jacob, Rachel e Connor (Ilya) no lançamento tímido diante do que vira


    A escolha do elenco, com certeza, foi determinante para o sucesso de Rivalidade Acirrada. Dois jovens atores, desconhecidos do grande público, mas com um currículo de trabalhos bastante ousados e criativos (alguns estão disponíveis no youtube e redes sociais), Connor Storrie, que interpreta o russo Ilya Rozanov e Hudson Williams, com Shane Hollander. Além disso, temos François Arnaud, que é o mais experiente do grupo, tendo atuado na série Os Borgias e seu parceiro de atuação, Robbie G.K., que se inserem na história, sendo protagonistas de um outro livro da série (o primeiro) e têm um papel fundamental na história de Shane e Ilya.


 
Scott (François) e Kip (Robbie).



    Depois de assisti-la pela HBO Max com VPN, ansiosa a cada episódio semanal que saía, acompanhei o desenrolar do sucesso exponencial da série na mídia, que passou de uma coisinha meio nichada, até levar os atores a apresentar o Globo de Ouro (esse mesmo que ganhamos com o Agente Secreto!) e aos programas de entrevistas mais famosos dos estragos unidos. Eles viraram as celebridades que as celebridades querem tirar fotos! Pior! Chegaram a um país que não tem o clima adequado ao hockey de gelo (risos) como o nosso, mas que é bastante adequado para a paixão que se desenrola na telinha (e isso foi meio brega, eu sei, mas eu virei uma fã, como você deve ter percebido). E foi assim que cheguei a esses: 11 pontos que fazem com que Rivalidade Ardente seja um ótimo entretenimento!

  1. É uma série +18 então, sim, teremos cenas picantes e digo mais! Muito bem ensaiadas e deliciosas. Mérito dos atores e da coordenadora de intimidade, a Chala Hunter (link para a entrevista com ela);
  2. Foi feita com um orçamento contadinho, o pessoal diz, de um caldo de cana com pastel e mesmo assim fez um verdadeiro milagre, bem redondinha e visualmente agradável de acompanhar;
  3. Mostra como a dificuldade de comunicação dos homens pode causar problemas também em relações que não são heteronormativas;
  4. Nós mulheres, como maior público de todos os tipos de romance, parecemos ter uma facilidade de conexão com a história porque não há um peso centrado em personagens femininas e seus papéis dos romances mais tradicionais (sobre isso, temos muito mais a dizer, fica o link dessa diva);
  5. As próprias personagens mulheres da série são absolutamente bem resolvidas, sem aquele drama repetitivo de todas as novelas e romances populares que me irritam profundamente. É muito boa a representação;
  6. As músicas complementam as cenas ao longo da série, com letras que dialogam com o foco de cada um de uma forma bem direta, quase como se saísse da boca dos personagens. Pra mim, que não costumo me importar tanto com isso, foi bem interessante ter mais essa camada para prestar atenção- tem até easter eggs em algumas. Mais uma vez, mérito do Jacob, o diretor, que teve o trabalho de montar esse quebra- cabeça de um jeito que parecesse orgânico;
  7. Por falar em easter egg, os episódios são cheio deles, mas nem sei se todas essas pistas deveriam ser chamadas de easter egg, porque muitas delas estão diretamente ligadas ao assunto principal, reforçando a necessidade de atenção, esse item tão escasso;
  8. A química! Toda entrevista que Connor e Hudson deram desde que a série estreou perguntou sobre isso. O que eu posso dizer é que é realmente palpável, você vai ficar com calor do outro lado da tela! E apesar disso, a história é um slow burn que acontece ao longo de 7 anos;
  9. A série é curta. São apenas 6 episódios. O que é uma pena. Eu recomendo não assistir todos de uma vez, a expectativa combina com o sentimento dos protagonistas (e série foi originalmente lançada como semanal, mas dividir em dois dias pelo menos, já ajuda);
  10. Nessa época tão conservadora e com tantos casos de assédio dando a entender que esse é o único palco possível para a expressão sexual humana, é um feito muito bem vindo;
  11. Por falar em feito muito bem vindo, a expressão da sexualidade gay de forma positiva, é um feito que anda sendo comemorado pela comunidade, que está enchendo as redes sociais de depoimentos comoventes, incluindo de ex-atletas de várias modalidades esportivas (link );


    E caso você, como eu, fique viciada na história de Shane e Ilya, saiba que ela já foi renovada pela HBO Max, que adquiriu os direitos da transmissão internacional! No Brasil, a primeira temporada estreia em fevereiro. 😉



PS.Esse não vai ser o último post sobre a série. 😈


sexta-feira, 20 de junho de 2025

Exames Aleatórios de Imagem - Laís Romero

 

Exames Aleatórios de Imagem (2024), Laís Romero, Coleção Diabo na Aula, Ed. Mórula

Com mais um livro da Laís em mãos, fui sossegada de que encontraria algo bom naquelas páginas. Páginas aliás muito bem editadas, com um papel de qualidade, nome ousado na coleção (diabo na aula), páginas de cores alternadas em cinza e um amarelado. A capa, não sei se será um padrão da série, ou coincidência, lembra, de fato, as propagandas geométricas dos anos 2000, dos laboratórios de imagens da cidade. 

O título já nos avisa que encontraremos algumas imagens anatômicas e aí eu devo dizer que fui corajosa, posto que anatomia foi a primeira disciplina do curso de biologia, priscas eras atrás, que me recusei a cursar (a escusa de consciência como dilema ético não era levado em questão na prática, como pode ser levada hoje). Daí foi a porta de entrada para abandonar o curso. Eu havia tido alguma experiência com as feiras de ciência e de anatomia da escola e levei a serio minha reação. Mas que bom que um grande número de pessoas não vê problema nenhum nisso, seja para exercer as áreas de saúde, pesquisa e também a escrita literária, que no caso da autora, é tudo isso ao mesmo tempo.

folha interna com trecho do poema

Mas do jeito que escrevo, fica parecendo que tenho um livro gore em mãos. Ainda que a tragédia da vida e da morte estejam lá, a ironia, o humor e o simbólico, permitem que tenhamos acesso aos corpos, inteiros ou despedaçados, dos temas que Laís nos chama à atenção. O rio, a guerra, a criação, o feminicídio, a notícia, o sonho, a história, a maternidade, o amor e o tarô- e outros mais que surgem do desdobramento destes. O poema que dá nome ao livro, é um itinerário pela memória de alguém que não é ouvida.

O tema da guerra é um dos novos inspiradores da escrita da Laís, pelo menos desde que venho acompanhando seu trabalho, há mais de 10 anos. A violência sempre apareceu aqui e ali, como não é surpreendente quando a escritora é um ser humano mulher (dentre outros marcadores, estudei isso muito tempo, peço desculpas pela recorrência), sensível à certa categoria de sofrimento justamente por sê-la, ainda que caiba a cada uma porção dessas intercessões únicas,  mas... a dimensão da guerra, que é trazida até nós pela internet e pelo noticiário da tv e que contamina as mais variadas formas de arte, mesmo a feita em uma terra que insiste em permanecer longínqua, como a nossa, sobre uma terra que tornaram longínqua, como a Palestina. No nosso caso pelo menos há dúvida a respeito de uma possível escolha.

Se a Susan Sontag vem puxando o fio do novelo das possibilidades éticas de estarmos expostos a essas imagens terríveis de sofrimento distante, a arte surge como uma linguagem (lato sensu), com vocabulários próprios de aproximação ou distanciamento desse horror. E mesmo o Piauí, sempre tão distante da atenção do próprio país e até de si mesmo (estou fazendo aqui uma espécie de apelo), é capaz de abrigar escritoras sensíveis ao genocídio, ao ponto de escrever coisas de uma terrível beleza, como os poemas abaixo, num momento em que grande parte do jornalismo responsável pela divulgação daquelas mesmas imagens, é incapaz de emitir as palavras exigidas para descrevê-las: massacre, genocídio, assassinato de crianças. Se não o fazem por questões ideológicas, religiosas ou de patrocínio, também é algo muito sério. Mas no nosso caso, talvez a nossa complexa distância, herdada da colonização, permita, em uma consequência não desejada, uma liberdade de expressão que precisaria ser mais aproveitada*. Eis os poemas:

poesia de guerra

sem virar o rosto
à fúria do vazio
criado pelo explosivo
ali se calam os gritos 
tantos grudados à margem
do tecido burocrático
aquele lugar errante
onde os nomes
não fazem falta

a poeta palestina

o tempo todo a vida
está só começando
ainda no choro
de abertura pulmonar
alvéolos e brônquios 
árvores e troncos 
só começando
em cada instante

apartar e refazer
descosturar o verso
e remendar o rasgo

um último poema
antes do crime
de guerra

O assunto não é novo entre nós aqui, então seria im-pos-sí-vel que eu não me exaltasse (sim, aqui estou agitada). O pequeno livro de 90 páginas traz outros tesouros, como a jornada de um corpo que você vai acompanhando entre outros poemas que se intercalam com ele e, dentre os poemas dos arcanos do tarô, temos o belo "a temperança" em 4 versos e ainda os estranhos personagens que se arrastam pelo fundo do mar desde o início do livro, que vão ressurgindo. E para quem é do simbólico, há uma conversa a partir do tarô de Marselha que espelha vários dos temas que já apareceram e outros interesses da alma.

Termino esse pequeno texto comentando que já li três vezes o "Exames Aleatórios de Imagem" e ainda digo que, apesar de ser uma pessoa da releitura, não é sempre que um livro me entretém, como ele está fazendo. Como se eu estivesse conferindo o estado atual do imaginário de uma amiga e conversando com ele.

mais um trecho, poema "liquidado"


O que saiu sobre a obra e que pode te interessar!

Geleia Total (2025), "Exames Aleatórios de Imagem" citado entre os lançamentos da Laís. 

Entrevista recente na Revestrés.

Notícia do lançamento do livro no site da Revista Acrobata.

Site Pauta Cultural relaciona os últimos lançamentos da autora (2024/2025).

Fotos do bate-papo na Livraria Entrelivros, site literatura piauiense.

Nossa última postagem com ela foi sobre seu outro livro de poesias "Mátria".

*Eu deixei de fora a coerção social local sobre tantos assuntos políticos nas esferas públicas.

terça-feira, 22 de abril de 2025

8 fantasias excelentes!

Essa postagem é para quem quer entrar de cabeça no mundo dos livros de fantasia, mas não quer recorrer ao lugar comum, aqueles mais mais famosos, sejam polêmicos ou não, não vão aparecer aqui. 🫦

E aí vai! 

1. Trilogia da Terra Partida- NK. Jeminsin: 

Nível: difícil 

Um mundo em ruínas, mas com regras! Pessoas tentando sobreviver, questões ambientais, o racismo e colorismo sendo apresentados como se tivessem chegado a um tipo de extremo manifestado nessas regras e em poderes de alguns poucos escolhidos (ou amaldiçoados?). Não está entendendo nada?? Não se preocupe, o mais importante é seguir junto o caminho das duas protagonistas, uma mãe e sua filha, que estão vivendo em plena quinta estação, que não tem nada a ver com as quatro estações dos tempos comuns. 

Ah! E tem um vilão muito interessante, um dos meus personagens favoritos da história.


2. Duologia Dreamblood- NK Jeminsin: 

Nível: médio 

Sim, nesta casa amamos e respeitamos NK Jeminsin (apesar de eu não ter gostado de Nós Somos a Cidade, desculpe, rainha!). 

Simplesmente MA-RA-VI-LHO-SO! Se você gosta de "místicas", de histórias que se passam em desertos ou que se inspiram em narrativas do Egito antigo (apesar de não ter esse nome) ou nos povo nômades, essa é para você! 

Cidades e povos com relações em níveis diferentes com seus deuses, que também são os acidentes geográficos da região, o mundo dos sonhos e os condutores das regras morais e sociais, vamos acompanhar sacerdotes responsáveis pela vida, pela morte e pelos sonhos das pessoas comuns e da nobreza e também crianças órfãs de todo tipo, que crescem e se vingam ou só querem ficar em paz. Ah e fala de amor, também. ♥️

3. Carry on/ Sempre em frente

Nível: fácil 

Uma trilogia que começa em uma escola de magia, mas não se concentra exatamente nela. O mundo não é o foco da construção da autora, mas sim um trio de jovens diverso, que passam a conviver cada vez mais por conta de problemas que enfrentam. Parece familiar? Porque é! Mas não se preocupe, a história da Rainbow Rowell é bem mais leve, com toques LGBT, que eu particularmente achei adorável. Você lê muito rápido. 

4. A Casa do Mar Cerúleo

Nível: fácil 

Simplesmente a coisinha mais fofa! Começando pela capa! Um dia, o melhor burocrata da empresa, Linus Baker, é enviado para investigar um lar que abriga crianças diferentes, consideradas as mais perigosas de todos os orfanatos. Lá, inclusive, ele encontrará o próprio filho do capeta em pessoa, o pequeno Lúcifer.

A história fala de superação das diferenças e sobre família encontrada. Recomendo fortemente ele e a sua sequência, que saiu faz pouco tempo em inglês: Somewhere beyond The Sea. 

5. Mistborn

Nível: médio/difícil 

Até parece que eu gosto de distopia! Mas a verdade é que é empolgante demais acompanhar esse grupo de pessoas tentando derrubar um tirano, enquanto voam pela cidade com seus poderes vindos do metal. Opa! Só alguns conseguirem voar, são os tais Mistborn, nascido das brumas, um conceito que vai se aplicando a medida que você vai se aprofundando nesse mundo. Até agora minha trilogia favorita é a da primeira era, mas se você gostar tanto do universo que o Sanderson vai criando lá, pode continuar pela segunda era e mais livros da famosa Cosmere

6. Mar Sem Estrelas

Nível: médio 

Para quem gosta de fantasia bem viajada, sem necessariamente um fim, se estendendo por vários fios além dos nossos personagens principais: este é o livro. O jovem Esdra um dia recebe um convite para um baile de máscara onde as pessoas vão fantasiadas de personagens de livros. Curioso sobre a festa e querendo saber mais a respeito de um livro misterioso que contém parte de sua própria história, ele se envereda por corredores, florestas, mares e colmeias, para juntar os pedaços de si e dessa história. 

É muito lindo! 

7. Enraizados (volume único!):

Nível: fácil/médio 

Eu sou fascinada por livros que falam sobre florestas sombrias e nesse temos uma com uma boa história ao redor dela. A personagem principal não é insuportável, o que já é um ponto positivo para esse tipo de livro jovem e mundo, apesar de ir se revelando à medida a mocinha amadurece com seus poderes, vai prendendo a leitora. O romance não atrapalha o desenvolvimento da história e não é o foco. O par dela (o dragão) é carismático, adoro ele. 

Mas como eu falei antes: foco na floresta, que você vai se dar bem. 😉

8. Os Noivos do Inverno

Nível: médio/difícil 

Esse é o título é o nome do primeiro livro dessa quadrilogia excelente para quem gosta de construção de mundo (um mundo partido e flutuante!) e um desenvolvimento bem lento da relação entre os personagens. Apesar do título, não se trata realmente de um romance romântico e mais de uma aventura de Ofélia e Torn, tentando desvendar os mistérios que aparecem diante deles, que parecem tentar eliminá-los a qualquer custo. No meio disso vão tentando se entender, com suas personalidades e poderes bastante complicados. 

O que eu posso dizer? Eu adorei cada página dessa quadrilogia e dei um jeito de eu mesma traduzir a versão em francês do último volume, assim que saiu. Para nossa sorte, eles todos já foram traduzidos para o português. Mas já aviso: chorei horrores no final. 🤧


🚨 Eu decidi parar por aqui. Vou apenas ressaltar que sim deixei de mencionar mais alguns Sandersons e TODOS os livros de fantasia chinesa que adoro. Principalmente porque boa parte deles ainda está sendo traduzido para o português, enquanto outros nem sequer previsão tem... 🥲 Mas já digo que farei uma postagem para incluí-los mais adiante. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Li no final de semana 📚

 

Nesse final de semana, eu terminei de ler dois livros que me deixaram reflexiva, com os olhos marejados, mas menos dolorida do que pensei que ficaria.

O primeiro deles é já bastante conhecido, há pelo menos um século, que é a "Carta ao pai do Kafka", que não é bem texto literário no sentido estrito mas é um texto que passa por várias classificações, sendo principalmente um texto biográfico. Nela lemos uma resposta de Kafka ao tratamento que o pai lhe dera toda a vida. Fala da relação dele com pai, de como mesmo aos 36 anos ele ainda não conseguiu elaborar suficientemente, nem superar, se é que era para isso acontecer. Um pai agressivo, um pai fruto do machismo da época, da nossa sociedade patriarcal, seja por conta da religião, por conta de condições econômicas, sociais, um tipo de masculinidade que só saberia ser violenta, bruta, quase sem demonstração de afeto pelos filhos. Ao mesmo tempo, se eu for considerar apenas a descrição da personalidade, era uma bastante expansiva, de modo a obrigar a todos o seu modo, esmagadora, como Kafka acusa.O que mais me chamou a atenção foi a extensão dessa carta nunca entregue e como ele pesou seus argumentos e a possível resposta do pai. É possivel sentir a angustia que essa presença impunha na vida mesmo do Kafka adulto. 

O segundo livro, "O rio que me corta por dentro", foi como fazer uma viagem pela história da minha família, há poucas gerações atrás, talvez da família de muitas pessoas de um certo Brasil. Um autor tão jovem, conseguiu escrever em 127 páginas uma história rica de acontecimentos, de afetos de verdade e delicadeza, mesmo diante de muitas violências acumuladas ao longo dos anos, ao longo dos nascimentos e das mortes não explicadas até que um dia se encontra uma explicação. Fala do amor de uma mãe, impedida por questões maiores do que ela mesma: mais uma vez o patriarcado, suas condições econômicos, não podendo ficar com filho dela, mas sempre voltando no final do ano, até que não volta mais... Fala de um amor entre dois amigos, que nasceu desde uma infância compartilhada no meio do mato, da natureza, da vida na simplicidade e que a mesma vida tratou de embaralhar tão tragicamente como uma peça de Shakespeare ou uma Fantasia Chinesa Danmei. Fala do amor de um aluno por sua professora que lhe ensinou as letras e uma outra camada de acesso aos próprios sentimentos, no meio de toda essa brutalidade... 

Falar de família parece uma fórmula fácil, para incitar sentimentos profundos no leitor e na leitora, não importa se esses sentimentos não são tão bons, porque todo mundo veio de algum lugar, mesmo que não seja familia de sangue, ou mesmo uma familia sequer, e mesmo uma família judia, na distante Europa do início do século XX ou de uma família do interior do nordeste nas década de 60 ou 90. Há em ambos uma enxurrada de emoções, uma necessidade desesperada de se sentir amado e de amar, de pertencer a um lugar, que pode ser um lugar-pessoa, que nos respeite. Às vezes isso não é possível...e às vezes é... 


O próximo livro que quero ler do autor é esse do link 




Carta ao Pai- Companhia das Letras 

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Tag: você tem esse livro?

 Olá, amizades! 🌳


Mais uma TAG, porque eu gostei de brincar disso! Trouxe uma que aprendi no canal Redemunhando, da Natasha, que por sua vez indicou o Keeping Tabs como origem das perguntinhas. 😎

De antemão aviso que minha versão é ligeiramente menor, em vez 20, dou 14 respostas. Nos canais mencionados, você pode encontrar a lista completa. 😊

❗Aviso:

Quando aparecer o link da amazon, caso você compre, reza a lenda, eu ganho centavos, sem você pagar mais nada. Nos demais links não tem isso. 💟

Lembrando que os preços digitados dizem respeito apenas à data em que escrevi e publiquei a postagem (poucos minutos de distância). Por isso é sempre bom clicar no link e conferir se houve alteração.

E aqui está nossa TAG anterior: https://diariocriativopassarim.blogspot.com/2023/09/tag-dos-calhamacos.html

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Kaladin e as emoções 💙

 

Kaladin com seu casaco azul e a esprena azul Syl (por willy bissonnette)

AVISO: Usei termos gerais para não dar tantos spoilers, não especificando muitos nomes, apenas os que achei necessário. Se você pretende ler a série, fica o alerta.

 *Originalmente publicada na minha newsletter "Clube de Profecias"


Estive mergulhada em Roshar (o nome do planeta) desde o ano passado, quando comecei lendo O Caminho dos Reis (Trama), quando ganhou sua primeira tradução no Brasil. O ano começou e criei coragem de ler os outros três calhamaços já lançados na série, ainda não concluída por Brandon Sanderson, já que serão 10 romances. Como se trata de um mundo de fantasia muito rico com, pelos meus cálculos, mais de 6000 páginas até agora, nem me atrevo a tentar explicar. Eu só quero destacar uma pessoa dela, para fazer algumas reflexões: Kaladin Stormblessed/Filho da Tempestade.


Kaladin é o principal protagonista da história, o heroi mais festejado, mas é um rapaz sem sorte. Como alguém que sente demais tudo, sua cabecinha foca especialmente nos erros e nas perdas. Sua trajetória passa de cirurgião à soldado e depois a pessoa escravizada (isso é dito bem no começo do primeiro livro), perde pessoas que ama e ainda por cima e provavelmente por tudo isso, Kaladin tem depressão.


Na história, a depressão leva o nome de melancolia, que é uma das muitas denominações que a doença (ou algo parecido) teve desde Hipócrates. Kaladin vive em um mundo de guerreiros, onde as doenças mentais são escondidas e até vergonhosas.  


Contudo, não é atoa que ele é chamado de Stormblessed, Filho da Tempestade. Em certa altura dos livros, mesmo arrasado por não conseguir mais salvar as pessoas como costumava fazer, observa ao redor e percebe que seu problema era uma causa coletiva. Muitos dos seus colegas tem problemas com alcolismo e outros transtornos relacionados à guerra, alguns foram até mesmo enclausurados com os fervorosos (que é uma espécie de cientista e religioso desse mundo).


Um dos pontos positivos desses livros, é que Sanderson não permite que seus protagonistas passem imunes ao sofrimento emocional, em um sentido não de glamourização da doença e sim como um acréscimo de um aspecto da vida que pode ser facilmente esquecido em meio aos cenários fantásticos, superpoderes, espadas, armaduras e lutinhas. Eu gostei muito e me emocionei sempre que isso aparecia na história.


Então, Kaladin já com a autoridade de herói de licença e cirurgião, defende a ideia de que é preciso que se fale sobre esse problema e que seus companheiros e demais pessoas que se encontram sem tratamento adequado, sejam incentivados a saírem da clausura. Basicamente uma reforma manicomial no meio da guerra.


Sim, ele está criando o método psicanalítico de Roshar. O método se desenvolve em várias frentes: ir aos estábulos interagir com os cavalos, sentar-se ao sol, cuidar dos jardins incipientes de uma terra de rocha sem solo etc. No caso do nosso Kal, ele vai melhorando por poder, de um jeito diferente do que fazia enquanto soldado, salvar as pessoas, porque é para isso que nosso herói existe e é o juramento que ele faz:


Vida antes da morte,
Força antes da fraqueza,
Jornada antes do destino.
Protegerei aqueles que não conseguem proteger-se.*
 

Existem outras situações que incentivam a empatia, o sacrifício, a honra, a tolerância, a amizade. Esse modelo de juramento é adaptado por outros personagens, dependendo de cada problema que enfrentam, no meio das grandes disputas das guerras das Tempestades. Não só por isso a minha identificação do herói de pele marrom e cabelos ondulados, mas a própria aventura dele, lidando com sua doença, mas ao mesmo tempo ganhando seus poderes enquanto salva o mundo é muito emocionante, para quem curte essa literatura, que recomendo demais! 😉


Você pode adquirir o primeiro livro em português aqui 
 

*cada juramento vem depois de um grande desafio interior sendo superado, quase como uma revelação de si para si. 

Kaladin como carregador de pontes com sua lança. - onlycosmere (tumblr)


sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Tag dos calhamaços

Estava rolando no booktuber essa tag, recentemente nos canais da Estante Cósmica, Resenhando Sonhos, dentre outros, que eu decidi participar, até como desculpa para conhecer melhor os livros que eu tenho na estante, relembrar algumas leituras, tirar a poeira de outras, se surpreender com a quantidade de páginas de uma ou outra obra, enfim. Achei divertido. Nos próximos dias postarei outras duas. E você também pode fazer! 💜

Tag dos Calhamaços de Ficção (livro físico e e-book) 📚

+ de 400 folhas

 

 1) Maior livro da estante que já leu.

O Senhor dos Anéis (Tolkien). 

O Senhor dos Anéis naquela edicação com os argonath na capa- Martins Fontes



2) Maior livro da estante que ainda não leu.

Jogo dos Tronos- versão ilustrada. GRR Martin.



3) Calhamaço que tem medo de ler.
Raduan Nassar – Obra Completa.


minha mão segura a capa vermelha de tecido. livro contra um fundo azul claro.



4) Calhamaço que tem fissura de ler.
Kindred- Octavia Butler.

Minha mãe segurando o livro com a capa vermelha que tem duas mãos negras
.


5) Livro grande, capa bonita.

O livro do Travesseiro. Eu gosto muito desse estilo de pintura do leste asiático.





6) Livro grande, capa feia.
Irmãos Karamazov- Dostoiévski. 

Sim, aquela edição da Martin Claret que eu mantenho por conta das anotações e por questão afetiva 



7) Calhamaço que tem vergonha de ter abandonado na estante.
Os tambores de São Luis- Josué Montello (versão de bolso).




8) Calhamaço que leu e não lembra quase nada, ou quer reler.

Bernard Cornwell- O Arqueiro, que é o primeiro dessa trilogia aí embaixo. Na época eu gostei, mas já faz muito tempo e eu realmente lembro de poucas cenas dele e dos demais da série. Não acho que releria, mas talvez assistisse alguma adaptação.

O arqueiro, O andarilho e O herege- Bernard Cornwell.



9) Último calhamaço que leu.

Rhythm of War- The Stormlight Archive 4- Brandon Sanderson.

Todos os livros dessa série tem 1200 páginas ou mais



10) Último calhamaço que abandonou.
Babel- R.F. Kuang. Cheguei a ler 15%, mas simplesmente não tive coragem de avançar por conta do tema, que é sobre as consequências da colonização inglesa, em um mundo com uma camada de fantasia. Fantasia histórica (existe?).






11) Livro grande que leu muito rápido.

Tian Guan Ci Fu- Mo Xiang Tong Xiu. Apenas meu top 1 (tem outro livro nele). Abaixo, o primeiro volume da publicação russa, que é uma das mais bonitas.

essa foto não é minha, peguei na internet, se alguém souber a autora, só me enviar nas respostas que eu altero ^^

12) Livro grande que leu devagar.
Eu tive livros que demorei um pouco mais que "A leste do Éden", mas como não quero repetir, fica aí esse livro tão profundo e incrível, com personagens tão duros. Não é um livro feliz, mas Steinbeck escreve de um jeito muito apaixonante. E tem a vilã número um dos livros da minha estante (sim, pior que o Sauron).

de todos os livros para os quais esse cacto "posou", esse ai é o que mais combina


13) Calhamaço que deixou uma saudade imensa.
Copper Coins/Tong Qian Kan Shi – autor Mu Su Li. Eu tenho um fraco para histórias com dragões. A escrita é muito poética e muito bem humorada. Essa aí é a edição original chinesa.




14) Calhamaço que te fez chorar.

Quase todos. Grande Sertão: Veredas (estante). Tian Guan Ci Fu- ebook.

essa edição é de bolso e bem tranquila de ler, apesar das páginas brancas. aquele com anotações que não vai sair da estante.



15) Próximos calhamaços.

Eu ando na fase dos calhamaços, que por isso mesmo, pode acabar a qualquer momento, mas eis alguns: Segunda Era de Mistborn (Sanderson); In the lives of puppets (TJ Klune); Lua de sangue (NK Jeminsen); Algum danmei (Liu Yao- dica da amiga Malu-, Tianbao Fuyao Lu provavelmente- esse último, que estava pausado).


mistborn segunda era

Liu Yao
Tianbao Fu Yao




Até a próxima!!

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